terça-feira, 19 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

NÂO POSSO ADIAR O AMOR

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas.

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio.

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor nem o meu grito de libertação.

Não posso adiar o coração


António Ramos Rosa
Viagem através de uma nebulosa
(1960)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

CHORA CORAÇÃO , GRITA!

No passado dia 1 de Maio ,Dalari Darabi,uma linda jovem Iraquiana de 23 anos, foi enforcada. Era pintora e amava a vida.Até ao último momento esperou uma salvação que não veio. Foram grandes as pressões internacionais para que não fosse executada e,por isso, quando menos se esperavafoi morta à revelia do seu advogado que instruia o processo com novas provas para a ilibar.
A manhã de sexta feira ficou marcada pelo grito desesperado de Delara numa chamada telefónica para os seus pais a partir da sua cela.
O correspondente da BBC em Teerão afirma que a jovem terá dito: Mãe eles vão me executar .E na dor suprema de uma mãe que ouve este apelo sem nada poder fazer o carcereiro terá tomado o telefone das mãos de Delara. Vamos executar a sua filha e nada poderá fazer.
E assim num ápice se apagaram todos os sonhos de Delara, todas as suas pinturas e o seu gosto pela arte.Momentos depois seria um despojo de um cadafaso que permite legalmente tirar a vida.
Delara Darabi tinha 17 anos quando foi presa acusada de ter matado com uma punhalada a prima de 58 de idade . Ela também respondeu por furto e por manter um relacionamento sexual com o namorado Amir Hossain de 19 anos de idade. No Irão sexo só depois do casamento e a adúltera recebe pena de 3 anos de cadeia mais 50 chicotadas em público pelo furto e mais 20 chicotadas pelas relações amorosas. Porém o enforcamento viria como punição por ter sida considerada autora da punhalada, com intensão de matar.
Delara negou ser a autora do crime mas o que vale a palavra de Delara num País onde os Direitos Humanos são letra morta e que desde 1990 executou42 pessoas que haviam cometido crimes antes dos 18 anos em desacordo com as leis internacionais?
Não é pois de estranhar que após a Justiça Iraniana ter concedido uma suspensão da execução
por dois meses, as autoridades prisionais ignoraram a ordem e a execução sem aviso prévio do seu advogado.
Um advogado que dizia ter em seu poder resultados periciais que ilibavam Delara .
É que tanto o advogado como as organizações internacionais dos direitos humanos garantem ter sido provado por laudo perecial ,oficial e único que Delara Darabi é inocente . Os peritos afirmam que o golpe de punhal só poderia ser desferido por uma pessoa dextra e Delara era canhota.
O caso de Delara Derabi gerou grande atençãointernacional após as pinturas e desenhos dramáticos,criadas por ela na sua cela terem sido divulgados por todo o mundo.
A Amistia Internacional está escandalizada com a execução de Delara Darabi particularmente por o seu advogada não ter sido informado e por a jovem não ter tido sequer julgamento justo.
Junto o meu grito ao da Aministia e ao de todos aqueles que se insurgem contra a pena de morte não só pelo principio em si como pelo facto irreversivel perante um erro .
Delara Darabi tinha apenas 23 anos e provavelmente, estaria inocente do crime pela qual a executaram.Todos nós morremos um pouco com Delara Darabi porque continuamos vivos e somos culpados por não nos calarmos quem tem essas leis.
Lídia Soares
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RU2X- SIDADANIA
comentário

É sempre chocante depararmo-nos com noticias de execuções aberrantes e barbaras como esta de Delara. O especialistas em dar noticias munem-se de pormenores que têm o efeito fermento em fazer crescser a nossa revolta como é o caso queela fez para a mãe realçando a crueldade do carcereiro que lhe tira o telefone das mãos para dar mais um golpe na pobre mãe.
Convém não nos calarmos para que não acontecam mais Delaras:Convém não nos esquecermos das Delaras do passado recente entre as quais me salta à memória a Angel.
Convém não nos esquecermos das Delaras, queimadas na fogueira pela Santa Inquisição,que só não acontecem actualmente pois vivemos numa parte do mundo que evoluiu em termos de respeito pelos direitos dos homens e pelo respeito à vida .Até que ponto somos manipulados e usados para desenvolvermos ódios aos muçulmanos que justificam guerras e invasões rotuladas de libertação de povos , mas cujo o conteudo real se chama "ouro negro" e é essencial para aquilo que chamamos desenvolvimento e progresso.
Até que ponto os culpados da morte de Delara somos nós que provocámos nos executores a necessidade de afirmação com, a mensagem que nos transmitem "Aqui mandamos nós".
É bom sermos cruzadas na luta contra a pena de morte , pelos castigos barbaros como chicoteadas, pela mutilação genital femenina, pela garantia pelos direitos humanos.
è bom no entanto saber até que ponto somos manipulados sem nos apercebemos disso para
intenções dissimuladas que vissem guerras que iremos aceitar e que irão causar milhares de vitimas inocentes.
Olhando um pouco para o nosso umbigo e para o mundo que dizemos civilizado o que vemos?
Uma senhora grávida que não obedece à ordem da paragem da policia quando pára e sai do carro sendo abatida a tiro nos EUA. Crianças sem lar serem abatidas em massacres horriveis no Brasil.
Dissidentes políticos abatidos com um tiro na nuca na China, já para não falarmos no Tibete. Muito mais poderia dizer. Desculpem-me os leitores a minha aparente insensibilidade ao caso Delara , que amanhã à semelhança de outros casos fará parte dos arquivos históricos.A minha guerra é pelos direitos humanos pela mudança de mentalidades e por um mundo melhor.Uma guerra sem tréguas por todos os dias da minha vida, em cada dia travo uma nova batalha sendo que umas perco,mas outras ganho.
A batalha pela vida de Delara está perdida no entanto mesmo sabendo-o não podemos bater em retirada e continuaremos a nossa luta na esperança de que novas Delaras no entanto não aconteçam.
Raul Rudoisxis

Estes dois textos foram reproduzidos na íntegra do "Silêncio Culpado" com autorização dos autores. OBG.

terça-feira, 5 de maio de 2009

A FLOR

Pede-se a uma criança que :Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis
A criança vai sentar-se no outro lado da sala onde não há mais ninguém.
passado um tempo o papel está cheio de linhas.Umas numa direcção outras noutras,umas mais carregadas,outras mais leves,umas mais fáceis ,outras mais custosas.A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase não resistiu.
Outras tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.
Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas :uma flor!
As pessoas não acham parecidas essas linhas com uma flor,
Contudo a palavra flor andou por dentro da criança da cabeça para o coração e do coração para a cabeça à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares ,mas são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!

Almada Negreiros
A invenção do dia claro

sexta-feira, 24 de abril de 2009

ORIGINAL È O POETA -HOMENAGEM A ARY DOS SANTOS

25 DE ABRIL SEMPRE




Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutro plasmo ou catacliamo
o que se atira ao poema
como se fosse um abismo
e faz um filho ás palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever um sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar nenhum
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte faz
devorar um jejum
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreeder
o que é o choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos quebras nozes
e ferra em quem tem juizo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chegar ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor esse que despe a poesia
uma mulher e nela emprenha a alegria
de se um homem qualquer
ARY DOS SANTOS

terça-feira, 21 de abril de 2009

UMA CARTA DE AMOR

Veste sempre uma camisola de lã, mesmo de Verão, o que além de inevitalvelmente ter de lhe fazer calor, lhe dá um ar de refugiado de alguma parte, acabado de chegar, sem bagagem e sem destino:Está sentado ,quase imóvel,no banco de lona articulado sem mover a cabeça numa ou noutra direcção, acompanhando apenas com os olhos este ou aquele que por ali passam,com a pressa dos selos fiscais, das fotos à la minute, ou de mais um impresso que sempre falta à boca dos guichés, Repousa as mãos afiladas , de dedos longos e postura delicada, numa prancheta de cartão prensado,cor verde garrafa, e os olhos observam desinteressados o que acontece em cem graus de visão, os quais se recusa a aumentar ,aconteça o que acontecer(...).
Preenche impressos a cinquenta escudos escreve cartas a setenta escudos e os anafabetos são o seu mercado.Mas,principalmente ,preenche impressos postado que está em posição fronteira ao Arquivo de identificação, onde mesmo os analfabetos têm de ter uma identidade e um cartão que a prove, com um número , uma cara e uma impressão digital.As cartas são menos frequentes mas todos os dias pelo menos uma tem que escrever , o que faz sem emendas em silêncio ,após alguns minutos de conversa com o remetente para conhecer o conteúdo e o destinatário.Mostra-se , mais do que insensível impermeabilizado aos assuntos que lhe sugerem para tema das relações que alinha em letra pontiguada e agressiva , consoante a sintaxe que conhece e a vulgaridade das vidas sem história,ou das dificuldades em grandeza de que lhe dão conta.Pedem-lhe normalmente para escrever que tudo vai bem, que as crianças estão na escola, que vivem numa parte de casa , mas que en breve se vão mudar, que arranjaram um andar só para eles ou que em breve começarão num emprego muito melhor.Quase sempre as coisas estão dificeis mas todos dizem que vão melhorar (...)Mas a maioria do seu trabalho é já se sabe com os impressos ,nome,apelido,morada,nome do pai nome da mãe ,profissão estado. É com isso que aparentemente se governa ,escrevendo maiúsculas em quadradinhos verdes do computador, tudo o que nós, Portugueses somos ou mais das vezes ,o que deixámos de ser.
No outro dia teve um sobressalto.Pediram-lhe para escrever uma carta de amor .Não lhe pediram assim. Foi um freguês , um homem ainda novo, de pele escura, com um endereço e código postal para o Sul,que lhe disse:
-Tenho uma carta para vocemecê escrever. Quanto é?
- Setenta escudos até duas páginas.O que quer dizer na carta?
- È para uma rapariga. Não quero dizer nada de especial. Não tenho nada para dizer. Quero só mandar-lhe dizer que gosto dela e penso nela todos os dias.Pode ser?
Sorriu olhando demoradamente que tinha á sua frente e que o olhava com ansiedade.Volte daqui a uma hora já deve estar pronta .Vamos ver se sou capaz.
Depois, agarrou num velho bloco cujas páginas já iam em metade e tirou uma velha caneta de tinta permanente ,guardando a esferográfica que usava nos impressos e pôs-se à escrita ,começando "Meu Amor",. Escreveu uma página e outra e outra, dos dois lados das folhas, até a caligrafia saía diferente com a letra menos inclinada e mais arredondada até acabar«...custa-me viver assim, longe de ti, a pensar no que estás a fazer a qualquer momento.Não me sais do pensamento.Quando estivermos juntos não nos separeremos mais .Amo.te».
Quando o rapaz voltou ., perguntou-lhe o nome e assinou a carta. Escreveu cuidadosamente o envelope, com destinatária e remetente e entregou-lhe, sem o fechar com um sorriso feliz:
-Pronto meta no correio .A mim você não deve nada.
E quem por ali estivesse a observá-lo ,na sua camisola de lã, as mãos delicadas repousando na prancheta de cartão verde -garrafa,sobre os joelhos dobrados pela posição no banco de lona articulado, descobrir-lhe-ia ,na cara quase sem expressão , e nos olhos aparentemente desinteressados ,um sorriso e um brilho que sendo quse indecifráveis ,se poderia apostar que eram de felicidade.

Joaquim Letria,
Uma carta de amor

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O DIÀRIO DE ADRIAN MOLE

Domingo,2 de Janeiro

Hoje analisei a minha aparência. Só cresci alguns centímetros no último ano, portanto tenho que me convencer de que vou ser uma daquelas pessoas que nunca vêem bem no cinema.
A minha pele está uma lástima, as minhas orelhas são espetadas o meu cabelo tem trés riscos e, por mais que o penteie não consigo que fique à moda.

Segunda feira ,3 de Janeiro

Estão a decorrer negociações entre o meu pai e a minha mãe para regressarem ao seu estado marital. A minha mãe disse:« Mas como pode resultar ,Adrian ? Há tanta coisa para esquecer»
Eu sugeri a hipnose.

Terça -feira, 4 de Janeiro
Mais negociações à porta fechada. Quando saiu , pedi ao meu pai um relatório do encontro.« Respondeu sem coméntários» e entrou para o carro.

Quarta-feira,5 de Janeiro
As negociações foram interrompidas
Ouvi o açucareiro partir-se no chão e vozes altas. Depois ,a porta a bater.

Quinta feira ,6 de janeiro
Uma mensagen foi enviada por um intermediário (eu).Novas negociações seriam bem vindas. A mensagem foi transmitida e a resposta favorável, por isso fui encarregue de tratar dos pormenores de hora ,local e ama-seca.

Sexta -feira, 7 de Janeiro
O encontro decorreu num restaurante chinês às 8 da noite. As negociações prolongaram-se pela noite fora e só foram interrompidas quando uma das partes regressou a casa para dar de comer ao bébé.

Sábado 8 de Janeiro
Ambas as partes emitiram o seguinte comunicado:
Fica acordado que Pauline Monica Mole e George Alfred Mole, tentaram viver em mútua harmonia durante o périodo experimental de um mês .Se durante o período experimental de um mês.Se durante esse período Pauline Monica Mole, a doravante referida como PMM, e George Alfred Mole, o doravante referido como GAM quebrarem o(...)a acordo, então ele será considerado nulo e o processo de divórcio seguir-se-á automaticamente

Terça -feira, 1 de Fevereiro
Hoje apareceram as primeiras falhas no acordo matrimonial: uma discussão sobre dinheiro.
Somos mantidos pelo Estado no estilo em que o Estado nos quer manter, isto na pobreza.Os meus pais não suportam mesmo serem pobres.Para mim tudo bem, estou habituado. Nunca mais mais de trés libras por semana a que chamar minhas.

Sexta -feira ,4 de Fevereiro
Passei o dia na enfermaria da escola devido a ter-me sentido fraco na primeira aula (EF):A enfermeira perguntou-me se alguma coisa me corria mal em casa . Eu comecei a chorar e disse que estava tudo bem. «Os adultos têm vidas complicadas, Adrian. Não é só ficar a pé até tarde e ter a sua própria chave de casa!»
Eu disse que os meus pais deviam ter moral, ser consistentes,com principios.
Ela respondeu «isso é pedir muito:» Fi-la prometer que não dizia a ninguém que me tinha visto a chorar. Ela prometeu e amavelmente deixou-me ficar até os meus olhos voltarem ao normal.
ela prometeu e amavelmente deixou-me ficar até os meus olhos voltarem ao normal.

Terça -feira 8 de Fevereiro
Não me perguntem como tenho aguentado os longos dias de escola.Ando de um lado para o outro como um robot sorridente.Mas a minha alma chora,chora,chora. Tomara que os professores soubessem que uma palavra menos amável da parte deles me enche os olhos de lágrimas.
Safo-me dizendo que sofro de conjuntivite, mas às vezes é por pouco.
Hoje acaba o período experimental.
1 da manhã. Ambas as partes concordaram com um prolongamento.

(...)



Sue townsend,
Adrian Mole na crise da adolescência

domingo, 12 de abril de 2009

PERPLEXIDADE

A criança estava perplexa.Tinha os olhos maiores e mais brilhantes do que nos outros dias,e um risquinho novo ,vertical,entre as sobrancelhas breves «não percebo»,disse.
em frente da televisão ,os pais .Olhar para o pequeno ecrã era a maneira de olharem um para o outro .Mas nessa noite ,nem isso .Ela fazia tricô, ele tinha o jornal aberto. Mas tricô e jornal eram alibis.Nessa noite recusaram mesmo o ecrã onde os seus olhares se confundiam. A menina, porém ,ainda não tinha idade para fingimentos tão adultos e subtis, e sentada no chão , olhava de frente ,com toda a sua alma.E então o olhar grande, a rugazinha e aquilo de não perceber.
«Não percebo», repetiu.
«O que é que não percebes?», disse a mãe por dizer ,no fim da carreira, aproveitando a deixa para rasgar o silêncio ruidoso em que alguém espancava alguém com requintes de malvadez.
«Isto por exemplo.»
«Isto o quê?»
«Sei lá. a vida»,disse a criança com sereiedade.
O pai dobrou o jornal quis saber qual era o problema que preocupava tanto a filha com oito anos, tão subitamente.Como de costume preparava-se para lhe explicar todos os problemas , os da artimética e os outros,
«Tudo o que nos dizem para não fazermos é mentira»
«Não percebo»
«Ora, tanta coisa.tudo.Tenho pensado muito e... Dizem-nos para não matar,para não bater. Até não beber álcool,porque faz mal. E depois a televisão...Nos filmes, nos anúncios...Como é a vida, afinal?».
A mãe largou o tricô e engoliu em seco. O pai respirou fundo como quem se prepara para uma corrida díficil.
«Ora vejamos,»,disse ele olhando para o tecto em busca de inspiração.«A vida...»
Mas não era tão fácil de explicar como isso falar do desrespeito ,do desamor, do absurdo que ele aceitara como normal e que a filha de oito anos,recusava.
«Avida...»,repetiu
As agulhas do triçô tinham recomeçado aesvoaçar como pássaros de asas cortadas.

Mªjudite de Carvalho,in O Jornal

quinta-feira, 9 de abril de 2009

INVENÇÂO DA ESCRITA

Com as minhas mãos calejadas e fortes
aprendi a trabalhar novos materiais:
depois da pedra veio o bronze,
depois da madeira o aço, o barro e o ouro.
Eu não parava de crescer
em tudo aquilo que aprendia,
eu não parava de me deslumbrar
com tudo aquilo que descobria
e ainda me faltava aprender
tanta,tanta coisa.Um dia
disse para comigo: «O que aprenderes
também deves ensinar»,
e foi assim que fiz dos filhos
meus alunos e dos alunos
meus herdeiros.Ensinei-os
a usar o fogo, a erguer a cabana
a fazer a sementeira,a olhar os astros a amar a natureza
a construir a embarcação,a fazer a sementeira
a olhar os astros ,a amar a natureza,
a acreditar no sonho, a falar
com os pássaros com os rios,
a decifrar as vozes do vento e do trovão.
Fiz da terra ampla e livre
a escola em que aprendi e ensinei.
e um dia disse «É preciso deixar sinal
de tudo aquilo que já sei .»
Olhei de novo para as minhas mãos
e pedi-lhes, a elas e ao pensamento,
um novo e derradeiro esforço
foi assim que inventei a palavra «escrita»,
primeiro com imagens,
por fim com letras,
O que eu tinha já caminhado,
por veredas íngremes e por estradas largas,
até chegar ali: ao fascinio de uma palavra
erguida com tinta negra
sobre papiro, sobre pergaminho ,sobre papel.

José Jorgr Letria
No voo de uma palavra
(1991)




segunda-feira, 6 de abril de 2009

CONSELHOS DE UM FILHO A TODOS OS PAIS DO MUNDO

«» Não me dês tudo aquilo que eu peço. As vezes só o faço para ver até quanto tu me podes dar.

«» Não me grites Respeito-te menos quando o fazes e também ensinas-me a gritar e eu não quero fazê-lo.

«»Não me dês ordens.Se em vez de ordens às vezes pedires as coisas ,eu fa-lo-ei mais rápido e com mais prazer.

«» Cumpre as tuas promessas boas ou más.Se me prometeres uma prenda dás-ma e se merecer um castigo, dás-mo também.

«»Não me compares com ninguém, especialmente com o meu irmão ou irmã.Se tu me fazes sentir melhor que o resto, alguém vai sofrer e se me fazes sentir pior que os outros serei eu quem sofre.

«» Não mudes com
tanta frequência de opinião acerca daquilo que eu devo fazer.
Decide e mantêm essa decisão.

«» Deixa-me valer por mim próprio. Se tu fazes tudo por mim eu nunca poderei aprender.

«» Não digas mentiras, nem me peças que eu o faça por ti.
Fazes-me sentir mal e perder a fé naquilo que tu me dizes.


«» Quando eu faço algo de mau , não exijas que te diga o porquê e porque o fiz.

«» Quando te enganas, nalguma coisa, admite-o e crescerá o respeito que eu tenho por ti e ensinas-me simultâneamente a aceitar os meus erros também.

«» Trata-me com a mesma afabilidade e cordialialidade com que tratas os teus amigos . O facto de nós sermos família não significa que não possamos ser amigos também.

«» Não me digas para fazer uma coisa quando tu não a fazes eu aprendo aquilo que tu fazes embora não o diga ,mas nunca farei o que tu me pedes e não o fazes.

«» Quando te conto os meus problemas, não digas "Não tenho tempo para parvoices" ou "isso não tem importância" trata de me compreender e de me ajudar.

«» Finalmente ama-me e diz-mo .Eu gosto de te ouvir dizer , embora não aches necessário dizer-mo.


Neo-farmaceutica
Unidade de nutrição infantil

sábado, 4 de abril de 2009

AQUI TE AMO...

Aquí te amo
En los oscuros pinos se desenreda el viento.
Fosforece la luna sobre las aguas errantes.
Andam días iguales perseguiéndose.


Se desciñe la niebla en danzantes figuras.
Una gaviota de plata se descuelga del ocaso.
A vaces una vela. Altas, altas estrellas.
o la cruz negra de un barco
Solo



PABLO NERUDA

domingo, 29 de março de 2009

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM, DOS ANIMAIS E DAS PLANTAS

Considerando que nenhuma espécie viva dispõe de direitos próprios sobre outras espécies, é possivel pensar-se numa declaração deste género:

ARTIGO-1º- Os homens, os animais e as plantas gozam de igualdade de direitos e de privilégios da comunidade viva.

ARTIGO-2º- Os homens, os peixes e as algas dos rios têm direito a uma água limpa, livre de poluições

ARTIGO-3º- Os homens, os pássaros, os insectos e as plantas têm direito a um ar puro, livre de poluições.

ARTIGO-4º- Os homens, os animais e as plantas têm direito a uma terra limpa, livre de poluições

ARTIGO-5º- As florestas são um bem comum às especies vivas; nenhuma espécie viva tem o direito de as destruir e deixar que o deserto se instale no seu lugar.

ARTIGO-6º- Nenhuma espécie viva tem o direito de torturar qualquer outra espécie, quer seja por prazer, divertimento ou sob um outro qualquer pretexto cientifico.

ARTIGO-7º Cada espécie viva, homem ,animal ou planta , tem o direito a gozar dos equilibrios vitais, tal como lhe foram legados pela evolução.
Nenhuma espécie viva tem o direito de modificar química e irreversivelmente um biótipo.

ARTIGO-8º- Cada espécie viva tem direito a gozar da sua liberdade.
A nenhuma espécie viva e concedido o direito de capturar qualquer outra espécie para seu próprio divertimento...

ARTIGO-9º-Cada espécie viva tem direito à existência, e a nenhuma espécie viva é concedido o direito de levar uma outra espécie à extinção.

ARTIGO-10º- Os animais são os proprietários da sua pele, dos seus dentes ou dos seus chifres e não podem ser mortos tendo em vista a sua exploração.



Cabe-vos imaginar o que se poderá seguir. Estes eventuais direitos do ser vivo não constituem um novo código natural, mas podem incitar a uma reflexão arrojada que escape à posição antropocêntrica, quer dizer , com o Homem no centro ou no vértice da Natureza. A sua mais nobre superioridade está em aprender a não se aproveitar dela para aviltar as outras espécies vivas.

Alain Hervé, Obrigado terra (1989)

quarta-feira, 25 de março de 2009

D. António Alves Martins

.....E não só ao povo em geral mas a cada um dos seus filhos em particular, havemos de falar do mesmo modo: havemos de dizer-lhe - como já antes de nós alguém lhe disse - homem , os que chamas grandes, parecem-te grandes porque estás de joelhos: levanta-te, encaro-os face a face , mede-te com eles, e verás que não são maiores do que tu nem mais perfeitos, antes alguns, quando os vires de perto, parecer-te-ão tão ignóbeis, apesar dos enfeitos com que se adornam, que hás-de desprezá-los ainda que não queiras


Arcebispo de Viseu ( sec. XIX)

SEM TíTULO

Por dentro do espaço .Procuro
um ponto de equilibrio

Sou pássaro nostálgico de um
ninho desconhecido

Mas vós
vós que sois grandes e aparatosos
vós que não suportais a
minha pequenina existência
recebei a
minha solidariedade

É realmente tarde e
estamos inapelavelmente comprometidos
Quer quem queiramos ou não a condição
é esta:
-jamais lograreis a minha e a vossa indeferença

Porque
para o bem e para o mal
eu SOU convosco


António Monginho
1983

sábado, 21 de março de 2009

PRIMAVERA

SE PENETRÁSSEMOS NO SENTIDO DA VIDA
SERIAMOS MENOS MISERÁVEIS


Florbela Espanca

DIZ-ME AMOR COMO TE SOU QUERIDA

Dize-me, amor como te sou querida,
Conta-me a glória do teu sonho eleito,
Aninha-me a sorrir junto ao teu peito
Arranca-me dos pântanos da vida.

Embriagada numa estranha lida,
Trago nas mãos o coração desfeito
Mostra-me a luz, ensina-me o preceito
Que me salve e levante redimida!

Nesta negra cisterna em que me afundo
Sem quimeras, sem crenças, sem ternura
Agonia sem fé de moribundo.

Grito o teu nome numa sede estranha,
Como se fosse amor toda a frecura
Das águas cristalinas da montanha

Florbela Espanca

quarta-feira, 18 de março de 2009

VERGONHA

O PAPA CONDENA O USO DO PERSERVATIVO NO CONTINENTE ONDE EXISTEM MAIS PESSOAS INFECTADAS COM HIV. ÁFRICA
APELA ENTÂO Á ABSTINÊNCIA SEXUAL.

sábado, 14 de março de 2009

LISBON REVISITED (1923)

Não:não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas

Das ciências (das ciências, Deus meu,das ciências!)-
Das ciências ,das artes da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho tecnica só dentro da técnica,
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil,quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa fazia-lhes , a todos ,a vontade.
Assim como sou eu, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço.Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

Ó céu azul -o mesmo da minha infância-
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
pequena verdade onde o céu se reflecte!

Ó mágoa revistada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo ,que eu nunca tardo...
E Enquanto tarde o Abismo e o Silêncio quero estar sózinho


Poesias de
Álvaro de Campos

sexta-feira, 6 de março de 2009

APRENDER A ESTUDAR

Estudar é muito importante
mas pode-se estudar de várias maneiras...
Muitas vezes estudar não é só aprender
o que vem nos livros.

Estudar não é só ler nos livros
que há nas escolas.
É também aprender a ser livre
sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante,
às vezes urgente.
Mas os livros não são o bastante.
para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever,mas também a viver,mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer,
aprender a estudar.

Aprender crescer quer dizer:
aprender a a estudar, a conhecer os outros,
a ajudar os outros,
a viver com os outros
E quem aprende a viver com os outros
aprende sempre a viver bem consigo próprio.
Não merecer um castigo é estudar.
Estar contente consigo é estudar.
Aprender a terra ,aprender o trigo é estudar
e ter um amigo também é estudar.

Estudar também é repartir
também é saber dar
o que a gente souber dividir
para multiplicar.
Estudar é escrever um ditado
sem ninguém nos ditar;
e se um erro nos for apontado
é sabê-lo emendar.
É preciso em vez de um tinteiro,
ter uma cabeça que saiba pensar,
pois, na escola da vida, primeiro está saber estudar.

Cantar todas as papoilas de um trigal
é a mais linda conta que se pode fazer.
Dizer apenas música,
quando se ouve um pássaro,
pode ser a mais bela redacção do mundo...
mas pensar é tudo!

Ary dos Santos

sábado, 28 de fevereiro de 2009

A CANÇÃO DESESPERADA

Emerge a tua lembrança desta noite em que estou.
O rio junta ao mar o se lamento obstinado.

Abandonado como como os cais na madrugada.
É a hora de partir, ó abandonado!

Sobre o meu coração chovem frias corolas.
Ó porão de escombros, feroz caverna de náufragos!

Era a negra , negra solidão das ilhas,
e ali, mulher de amor , teus braços me acolheram.

Era a sede e a fome , e tu foste uma fruta.
Era o luto e as ruínas, e tu foste o milagre.

Ah mulher, não sei como pudeste conter-me
na terra da tua alma e na cruz dos teus braços!

O desejo de ti foi o mais terrível e curto.
O mais revolto e ébrio, o mais tenso e ávido.

Cemitério de beijos, ainda tens fogo nas tumbas,
ainda as uvas ardem debicadas por passáros.

Oh a boca mordida, oh os beijados menbros,
oh os famintos dentes,oh os corpos trançados.

Oh a cópula louca de esperança e de esforço
em que nós nos juntámos e nos desesperámos.

E a ternura, leve como a água e a farinha.
E a palavra que quase nem nascia nos lábios.

Foi esse o meu destino e nele viajou a vontade,
e nele caiu a vontade, tudo em ti foi naufrágio!

De tombo em tombo tu ardeste e cantaste.
Marinheiro de pé na proa dum navio.

Ainda floresceste em cantos, ainda rompeste em correntes.
Ó porão de escombros, poço aberto e amargo.

Pálido mergulhador cego, desventurado fundeiro,
descobridor perdido, tudo em ti foi naufrágio!


É a hora de partir, a dura e fria hora
que a noite prende a todos os horários.

O cinturão ruidoso do mar abraça a costa.
Surgem frias estrelas, emigram negros pássaros.

Abandonado como o cais na madrugada.
Apenas a sombra trémula se me torce nas mãos.

Ah para além de tudo. Ah para além de tudo.

Ê a hora de partir. Ó abandonado.



Pablo Neruda, in Vinte Poemas de Amor
e uma Canção Desesperada

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A Criança e a Vida, excertos,1972, Mª Rosa Colaço

Este foi o meu primeito livro de poesia tenho-o à quarenta anos , no ciclone das minhas muitas vidas acompanhou-me sempre assim como a pessoa que me o ofereceu nunca o partilhei foi sempre uma especie de tesouro só meu. Hoje sinto-me no dever de o divulgar de o oferecer especialmente a duas estrelinhas pequeninas e brilhantes que não conheço mas amo .Estes meninos hoje são homens e mulheres muito mais velhos que eu.Penso que conseguiram escrever poesia imtemporal.
Obrigada MªRosa Colaço, professora de coração.
Tenho a certeza que estás num lugar maravilhoso construido pelas mãos pequeninas dos teus alunos.

A Criança e a vida , Mª Rosa Colaço, 1972 extertos do livro

....Ensinaram-me que , quando se é humilhado naquilo que em nós é claridade e certeza, aprende-se mais depressa o sentido exacto da liberdade, da paz, do ódio,do amor e do ridículo do quotidiano. Eles revelaram-me que a miséria transforma as crianças ,mais que os adultos, em anjos implacáveis de lucidez e que a fome os ateia e lhes faz crescer nos olhos brancas e terríveis asas de sonho ou destruição.E há nestes anjos de fogo uma voz oculta e violenta em que é preciso,é urgente, meditarmos. Ela pode denunciar, construir ou semear, a alegria , a vergonha ou o remorso.
Ela pode ser a semente da Esperança, da Paz entre os homens.
Ela pode ser o Ódio.
Ela pode ser o Amor.

Mª Rosa Colaço


Pequenino, com dois olhos redondos onde o sol morava.
Uma vez entrou na sala a correr. Levou a mão ao bolso das calças e gritou senhora!Uma coisa para si!
E com mil cuidado, embrulhado num bocadinho de jornal, tirou então a prenda mais espantosa que me deram em toda a minha vida:uma asa de gafanhoto!
Foi o primeiro poema que li do António Joaquim

Mº Rosa Colaço

POEMA A UM HOMEM MORTO NA PRISÃO

Homem morto na prisão
nesta terra escura e fria
com teu corpo gelado
com essas mãos duras e olhos de fome
com o coração a morrer
pela liberdade.
Vais esperando que amanhã
uma estrela te venha buscar e te leve pelo horizonte
onde não há pobres nem ricos
e todos os corações
estarão por um momento
à espera que volte contigo
esse sonho

Fernando Brás

TERESA MORTA NA TERRA

Uma menina chamava-se Teresa.
Tinham-lhe espetado o coração.
Estava morta.
A mãe o pai e o avô e a avó e a tia
choravam.
A menina tinha saudades da praia.
Debaixo da terra estava quente e o sangue foi para a terra.
Depois, na cabeça, nasceu uma flor preta.
Estava com pena.
E as pessoas passavam e não sabiam que estava ali aquela menina.
Só os pássaros sabiam. E o sol sabia, porque está no céu e vê tudo.


Maria da conceição
6 anos

A PELE DUM HOMEM

Isto é um mapa feito com a pele duma pessoa.
Era um negro
Gostava de pássaros,Deus, e dos tigres.
Gostava dos tigres porque não tinha medo.
Um pastor tinha cortado a pele dele.
A pele dele parecia um mapa porque levava pancada
Isto aqui é sangue.
Isto aqui é capim que ficou agarrado ao sangue.
Isto faz tristeza.
Tristeza é vontade de chorar.

Alberto
1966

SÂO MÃOS QUE TRABALHAM

São mãos que trabalham.
São de homens que puxam barcos, guiam máquinas,arrancam pedras, martelam nas ruas.
Estas mãos têm dores.
As mãos com feridas têm saudades da água fresca,das flores, da língua de um cão, das penas de um passarinho.
Os homens destas mãos são tristes. Têm fome, têm sede, gostavam de acordar um dia e descansar de manhã á noite.
Gosto muito das mãos das pessoas que trabalham.
Estas mãos fazem lembrar um coração com susto.


Miguel Macedo
1966

HISTÓRIA DE MARIA

Esta mulher é Maria.
Está a gritar porque está com fome.
Não come há trés dias, porque não tem coisa para comer
Era pobre.
Era muito pobre como aquela gente toda que não tem comida.
E ela não faz nada.
Ela não podia fazer nada . Só chorar.
Depois caiu em baixo e morreu.
E tinha fome ainda.
Quando chegou outra gente,chorou no coração.
Chorou muito e fala assim:minha irmã Maria morreu.
Morreu nossa irmã Maria!
Mãe de Maria, lá na terra dela, chorou também.
E outras crianças pensavam: não é bom, não, ter sempre tanta fome.
E Maria morta,pensava:
em cima da terra toda, tem tanta comida, porque foi que eu morri com tanta fome?

Francisca
8 anos raça negra

CARTA À MINHA PROFESSORA

POMBO AZUL
estou triste
tenho tristeza em mim
tenho saudades dos dias verdes e alegres.
Escrevo sentado
numa escola triste
a única alegria é este sol pintado
que deixou na parede
mas está velho
tem as suas pernas partidas
a sua cara tapada.
Perdi a única esperança
a minha única amiga
tenho apenas tristeza
vejo as paredes do meu coração
cheias de musgo
gosto da alegria mas nunca mais a encontrei
fugiu na boca do nosso pombo azul
não poderei fazer mais poemas
este é o último da minha vida.
sinto
que morro de tristeza


Victor Barroca Moreira

PÁGINA DO MEU DIÁRIO

Hoje,dia 11 de Março, vou escrever o meu diário.
Ontem, quando vinha a caminho da escola, ouvi gritos e disse cá para mim:não deve ser nada de especial.Mas enganei-me. Quando acabei a palavra, um monte de mulheres e homens acorriam aos gritos . Fui ver.
Era um pobre rapaz que levava uma tareia e dúzias de pontapés, até na boca, por um homem que não era da família.
Por que será que lhe bateu? Teria feito algum crime?
Ora, pobre rapaz: porque tinha muita fome e tirou um papo-seco.
Bem se vê que nunca passaram fome.



Fernando Filipe Brás Lopes

HISTÒRIA DUM GAFANHOTO E DUMA BORBOLETA AZUL

Uma vez estava um gafanhoto sentado numa pedra cor-de-rosa, quando passou uma borboleta azul. Dum azul tão lindo que até faz doer os olhos. A borboleta que voava baixo viu o gafanhoto sentado e triste. E disse-lhe depois de hesitar um momento, um momento pequenino:
-Porque estás triste?
Então respondeu o gafanhoto:
-Não hei-de estar triste aqui sòzinho, nesta planicie imensa onde não se vê mais nada do que o céu e esta terra cor de sangue?
-Então vem comigo. Verás que não te arrependes.
Anda ,vem! E verás mais do que este céu azul e esta cor de sangue.Verás coisas que nunca viste: pássaros ,amarelos,azuis,encarnados e mais, muito mais.
Verás árvores cor-de -rosa.
Lá é sempre Primavera.
E quando iam quase a chegar ao seu destino, lá no alto, a morte veio e levou-os nos seus braços grandes.
E era tão bom que o gafanhoto disse: afinal não me enganaste.Aqui é um mundo novo.
E nunca mais ficou triste.

raul joão
10 anos

UMA VIAGEM À LUA

Despedia-me do meu pai e da minha mãe.Preparava as malas e ía para a lua.
Quando lá chegasse falava com Deus e os anjos.
Ficava lá com os meus companheiros e nunca mais voltava porque encontrava os anjos a cantar e as estrelas ali mesmo ao pé.
Porque lá não havia guerra e lá estava muito sossegadinho e não havia misérias, nem morria ninguém.


Manuel Miranda
8 anos

O AMOR

O amor é uma paisagem de reflexo na alma.
O amor é verde como a esperança.
O amor é o carinho, a alegria a verdade.
O amor da Pátria, é lutar contra a Pátria dos outros.
O amor é alga pintada de espuma no mar profundo.
O amor veste-se de cores do sol.
O amor da mulher é a paisagem do homem.


Victor Figueiredo
10 anos

O AMOR

O amor é como duas borboletas que estivessem
sobre uma rosa, a mais linda de todas do jardim.
O amor tem que haver.
Se não houvesse amor não havia nada bonito.
O amor são duas duas estrelas a brilhar, a brilhar.
A rosa e o sol são o amor.
O amor é a poesia.
O amor são dois passarinhos a construir a sua casinha.
O amor é não haver polícias.

Inácio da silva cruz
10 anos

O AMOR

O AMOR É UM PÀSSARO VERDE

NUM CAMPO AZUL

NO ALTO

DA MADRUGADA



Victor barroca moreira
9 anos

O QUE É UM ANJO?

-É um menino que morre e nasce asas.
Vasco Manuel,4 anos

-É um homem que tem o sol pendurado atrás da cabeça.
Fernando Brás,6 anos

-É um homem que vestido de mulher que tem duas asas e voa

-Anjos são os criados de Deus

-São pássaros vestidos de homem que estão no céu para cantar.

-Anjos são meninos sem botas que dão cambalhotas nas nuvens.

-É um pássaro cantador.

O QUE É A VIDA?

-A vida são pássaros a cantar.
Mª joão Amaral

-A vida é a paz.
Iondith

-A vida são as meninas que estão lá fora a fazer rodas.
Vasco Manuel

-A vida é alegria e sol.
Isabel Serrano

O QUE È A TRISTEZA?

-É estar quase a chorar.
-É ter pena.
Paulinho

-É quando se morre.
Alexandre

-É as mães baterem.
Isabel Serrano

-Uma parede velha.Apaga a luz do corredor
Um cão debaixo do carro é triste.
Vasco Manuel

-É um pássaro que tapa tudo à noite.

-É um cocoana pobre. Fica triste de passar fome de muito tempo.
Jorge Santos

O QUE É SER VELHO?

- Gasta muitos dias no trabalho,fica velho.
Zé Silva

-É a gente trabalhar muito e ficar cansado
Luís Vidal

-É ser avô e depois morre.
Paulo Casanova

-É quando o corpo fica todo estragado.
Mª de jesus

- Pessoas velhas são as que nos batem
(?)

-É uma pessoa na terra.
Vasco Manuel

O QUE É O ESCURO?

-É um pássaro que tapa tudo à noite
Jorge, 6 anos

-Um passarinho dorme,é escuro.
Apaga a luz do corredor, é escuro.
Ficar muito triste, muito triste,é escuro
Vasco Manuel,3 anos

-É uma toalha do céu que tapa tudo.
Luís Vidal

-É logo à noite.
Mª de Jesus

-É um bicho que vem do mato e tapa o sol.
Zé Silva , 6 anos

-É uma bruxa que faz susto aos meninos que não dormem.
Eva

-Escuro é a morte.
Alberto

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

SONÊTO DE FIDELIDADE

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zêlo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face de maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu pranto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte,angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal,pôsto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de moraes

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

KANT E O UTILITARISMO

Kant rejeitou «as contorções de serpente do utilitarismo» porque, afirmou, a teoria é incompatível com a dignidade humana. Em primeiro lugar, leva-nos a calcular como usar as pessoas como meios para atingir um fim, e isto não é permissível.Se prendermos um criminoso de maneira a manter o bem-estar da sociedade, estamos apenas a úsa-lo em beneficío dos outros.

James Rachels,
Elementos de Filosofia Moral

A IMPORTÃNCIA DAS RELAÇÕES HUMANAS

Os utilitaristas que ,como Bentham, acreditam que a felicidade é unicamente um estado de espirito bem- aventurado ficam sujeitos a outra objecção.A sua teoria sugere que o mundo seria moralmente melhor se se misturasse no abastecimento de água uma droga como ecstasy, provocando alterações no estado de espirito, mas aumentando o prazer global.No entanto, quase toda a gente acha que uma vida com menos momentos bem-aventurados, mas com possibilidade de escolher como os atingir, seria preferível a esta situação e que a pessoa que misturasse a droga ao fornecimento de água teria feito algo de imoral.
Considere, ainda, outro caso díficil para o utilitarista . Enquanto Kant afirma que devemos manter as nossas promessas sejam quais forem as consequêcias, os utilitaristas calculariam a felicidade provável que resultaria , em cada caso, de manter ou faltar às promessas, agindo depois em conformidade com o resultado do cálculo. Os utilitaristas poderiam muito bem concluir que, nos casos em que soubessem que os seus credores se haviam esquecido de uma dívida e que não seria provável que alguma vez se lembrassem dela, seria moralmente corecto não pagar a dívida .A maior felicidade de quem fica a dever,, em função do seu aumento de riqueza, pode muito bem ultrapassar qualquer infelicidade que sentisse em relação a enganar os outros. E o credor não sentiria, presumivelmente, nenhuma ou quase nenhuma infelicidade, uma vez que se teria esquecido da dívida.
Mas,em tais casos, a integridade pessoal parece constituir um aspecto importante da interacção humana.

Nigel Warburton,

Elementos básicos da Filosofia

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

SOU FELIZ

Deus é assunto delicado de pensar, faz
conta um ovo: se apertarmos com força
parte-se, se não seguramos bem cai.
(Dito do avô Celestiano,reiventando
um velho provérbio macua)


Sou feliz só por preguiça.A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença:é preciso entrar e sair dela, afastar o que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.
-Levanta ,ó dono das preguiças.
-Preguiçoso? Eu ando é a embranquecer as palmas das mãos.
-Sabe uma coisa, Dona Luarmina? O trabalho é que escureceu o pobre do preto. E,afora isso, eu só presto para viver....
Ela ri com aquele modo apagado dela. A gorda Luarmina sorri só para dar rosto à tristeza.
-Você Zeca Perpétuo, até parece mulher...
-Mulher,eu?
-Sim mulher é que senta em esteira. Você é o único homemque eu vi sentar em esteira.-Que -Quer vizinha? Cadeira não dá geito para dormir.
Ela se afasta, pesada como um pelicano, abanando a cabeça. Minha vizinha reclama não haver homem com miolo tão míudo como eu.Diz que nunca viu pescador deixar escapar tanta maré:
-Mas você, Zeca: é que nem faz ideia da vida.
-A vida Dona Luarmina? A vida é tão simples que ningúem a entende. É como dizia meu avô Celestiano sobre pensarmos Deus ou não-Deus...
Além disso,pensar traz muita pedra e pouco caminho.Por isso eu, reformado do mar o que me resta fazer?Dispensado de pescar ,me dispenso de pensar. Aprendi nos muitos anos de pescaria: o tempo anda por ondas. A gente tem é que ficar levezinho e sempre apanha boleia numa dessas ondeações.
Não é verdade, Dona Luarmina? A senhora sabe essas línguas da nossa gente. Me diga minha Dona: qual a palavra para dizer futuro?
Sim, como se diz futuro? Não se diz, na língua deste lugar de África. Sim, porque futuro é uma coisa que existindo nunca chega a haver.Então eu me suficiento do actual presente.E basta.

Mia Couto in Mar me Quer

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

TRANSMISSÃO DO VHC

O VHC transmite-se sobretudo quando o sangue infectado entra directamente na corrente sanguínea.A saliva e as lágrimas não são infecciosas.
O vírus da hepatite C é um vírus mais resistente e mais pequeno que o VIH.
Pode sobreviver numa seringa durante vários dias ou semanas e pode ser transmitido através de outros materiais de injecção como caricas, colheres, algodões e água.
A infecção pode ser também transmitida através da partilha das palhinhas ou notas para "snifar" drogas e também dos cachimbos para fumar crack.
A principal medida para impedir o contágio da hepatite C foi tomada em 1991 com a introdução do rastreio dos dadores de sangue .A fonte mais importante de transmissão agora é sem dúvida a toxicodependência.
As transmissões por via sexual , picada acidental e a transmissão materno-infantil são rarissímas.
Importante referir que são potenciais fontes de contágio, se os materiais não forem descartáveis ou se os instrumentos não forem devidamente desinfectados certas práticas como a tatuagem, o piercing, a acupultura, fazer a barba no barbeiro, alguns tipos de depilação, tratamentos dentários e de manicura ou pedicura.
Não é suficiente desinfectar só com álcool!

sideny disse...
alex

ve-la tu eu estava mesmo covencida do contagio sexual tambem,alem dos outros que mencionas-te no post.
mas ha cura para a hepatice c, coisa que no hiv ainda nao existe.
tudo vai correr bem
bom post muito esclarecedor.
beijocas

2 de Fevereiro de 2009 13:05

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

URGENTEMENTE

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.


É urgente destruir destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade
alguns lamentos,
muitas espadas.



É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras


Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer

Eugénio de Andrade


Nota: Peço perdão aos leitores de me ter esquecido de mencionar o autor deste poema. É uma falta imperdoável mas não foi por mal.
publicada por alex às 11:35 3 Comentários Hiperligações para esta mensagem


3 Comentários:
sideny disse...
Alex
O amor faz parte da nossa vida.
Devemos fazer tudo com um pouco de amor, até mesmo termos amor a nós proprios.

beijinhos

28 de Janeiro de 2009 12:48
O Árabe disse...
É urgente, sim. E cada vez mais necessário! :) Bom fim de semana.

30 de Janeiro de 2009 9:12
Alice Matos disse...
Bom lembrar aqui Eugénio de Andrade..

Fica bem...

31 de Janeiro de 2009 13:32

domingo, 25 de janeiro de 2009

FALAR DA HEPATITE C É COMEÇAR A VENCÊ-LA

Em geral silenciosa, a hepatite C é a mais frequente das hepatites víricas crónicas no Ocidente.O problema de saúde pública por ela suscitado descreve-se em números que falam por si:em Portugal,por exemplo, há 150000 doentes; em França, 5ooooo pessoas sofrem de hepatite C crónica.Metade delas foram contaminadas durante uma transfusão de sangue, algures entre 1970 e 1990.Destas, cerca de 100000 estão ameaçadas por uma cirrose e 30000 por um cancro primitivo do fígado.Mas muitas vezes não o sabem.Face a uma tal ameaça, o público oscila entre uma enorme indiferença, por parte daqueles que não são afectados directamente, e a inquietação, por vezes desmesurada,daqueles que um teste identifica como «VHC positivos».
Mesmo nas suas formas menos graves, a hepatite C crónica pode ser reveladora da fragilidade das pessoas. Uns cedem a um sentimento de culpa.Pensavam que «a juventude é para ser vivida». Foi vivida, mas não sem deixar marcas.Quer se tenha explorado, por via intravenosa, algum paraíso artificial, quer se tenha, numa noite de embriaguez ou de inconsciencia,guiado tão depressa que o acidente aconteceu,,impondo uma transfusão de sangue, pode-se ficar com a mesma marca ameaçadora. A hepatite C diz respeito a todos.E todas as pessoas infectadas correm o risco de, a qualquer momento se sentirem sós,mal informadas.Sem armas para combater uma doença que prolifera na sombra; desamparadas por uma medicina que tanto intimidaquanto alivia; assustadas por uma nova terapeútica, que fez progressos consideráveis em poucos anos, mas pode sempre castigar o corpo e baixar a moral.
Aos doentes inquietos gostaríamos de lhes passar o testemunho de encorajamento de todos aqueles para quem a hepatite crónica não passa de uma má recordação:trataram-se e agora estão curados.
Para viver feliz, o vírus prefere estar escondido.Falar dele é começar a vencê-lo.


Comentários:
O Árabe disse...
Belo post! E tens razão no que dizes ao final: muitas das coisas que prejudicam a nossa vida precisam ficar escondidas; quando delas falamos, começamos a vencê-las. :) Boa semana.

26 de Janeiro de 2009 4:22
sideny disse...
alex

Esta muito bom e esclarecedor este post.
Sim devemos falar das coisas que nos afligem
e hep c ou outras doenças até.

Assim a falar é que começam os fantasmas a
desaparecer, e vamos vencendo-as.

beijocas

26 de Janeiro de 2009 11:51
M. disse...
Bom conselho. até porque se trata de uma doença praticamente controlada e curável pelo que não há necesidade de se criarem mais bichos papões.
Mas o povo continua mergulhado na escuridão da ignorância e com receio de ser rotulado prefere manter o silêncio.
a esperança diz-nos que as coisas mudarão, mesmo que devagar.

Um beijo alex

26 de Janeiro de 2009 14:36

sábado, 24 de janeiro de 2009

PARA TI LÍDIA

Este é um prémio que tu recebeste pelo optimo trabalho que tens vindo a realizar ao longo dos anos.É teu por mérito próprio.Como é teu hábito repartiste-o, como repartes tudo o que te é querido.Não fiquei admirada, pois são décadas de amizade. Mas sim profundamente agradecida, por me incluíres neste rol de mulheres coragem.A minha parte do prémio vai ser guardado no coração que foi onde ele me tocou profundamente.

Sabes que detesto desigualdades
mas hoje os homens que vão às urtigas

beijos e abraços longos

3 Comentários:
Silêncio Culpado disse...
Xana

Fizeste-me chorar e eu não choro. Foi dos prémios mais lindos que recebi em toda a minha vida. Não há nada que eu deseje mais do que o teu afecto e ver-te ressurgir com aquela grandeza que mereces. Não a outra grandeza que nos ensinaram e que nos corrói, mas sim aquela grandeza da humildade e da capacidade de dar, partilhar e aprender. Esta será sempre a grandeza que nos realizará como pessoas e que nunca passará com o tempo. É nesta grandeza que eu ponho a minha fé de que com ela possas caminhar e olhar um mundo que te pertence e do qual te arredaste.
Não tens que ser triste, minha querida. Há sol, lembras-te?

Abraço muito, muito apertado.

25 de Janeiro de 2009 10:07
sideny disse...
xana
Embora eu conheça a Lidia á pouco tempo
acho que este premio é mais que lhe merecido.
quanto a ti minha menina toca de deixar as tristezas de lado(todos nos temos algumas)
e toca a viver.
Como diz a Lidia há sol e o sol nasce para todos nos, ele é vida.
jinhos

25 de Janeiro de 2009 12:41
M. disse...
Olá olá

vim agradecer a visita à minha cidadela e o simpático comentário. Tenho-te "visto" pelo sidadania e no espaço da Lídia e já deu para tirar umas breves ilações sobre a tua pessoa que se resumem a uma coisa grandiosa como o facto de seres uma lutadora. Quanto à Lídia, merece tudo e mais alguma coisa, é o tipo de mulher a quem eu confiaria o governo do mundo.

Beijo para ti e que a Força esteja sempre contigo

26 de Janeiro de 2009 14:32
AO LARGO, AINDA ARDE
A BARCA ,DA FANTASIA
O MEU SONHO ACABA TARDE
ACORDAR É QUE EU NÃO QUERIA




MADREDEUS



3 Comentários:
sideny disse...
Eu gosto de Madredeus.
Ja não é com a teresa ,mas a que t~em agora tambem é uma boa voz.
jinhos

24 de Janeiro de 2009 11:15
SILÊNCIO CULPADO disse...
Xana/Alex

Tens um prémio no Silêncio Culpado que deverás transportar aqui para o teu cantinho e oferecer a outras amigas.

Abraço

24 de Janeiro de 2009 14:58
Odele Souza disse...
Já ouvi Madredeus cantando. Que voz linda!

Um abraço.

25 de Janeiro de 2009 4:29

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

HÁ PERGUNTAS QUE TÊM QUE SER FEITAS

Quem quer que sejas, onde quer que estejas
Diz-me se, é este o mundo que desejas?
Homens rezam, acreditam,morrem por Ti
Dizem que estás em todo lado,mas não sei se já te vi
Vejo tanta dor no mundo, pergunto-me se existes
Onde está a tua alegria,neste mundo de homens tristes?
Se ensinas o bem, porque é que somos maus por natureza?
Se tudo podes, porque é que não pões comida à minha mesa?
Perdoa-me as dúvidas, tenho que perguntar
Sou o teu filho e Tu me amas, porque é que me fazes chorar?
Ninguém tem a verdade, o que sabemos são palpites
Sangue é derramado, em Teu nome é porque o permites
Se me deste olhos, porque é que não vejo nada?
Se sou feito à Tua imagem, porque é que eu durmo na calçada?
Será que pedir a paz entre os Homens, é pedir demais?
Porque é que sou discriminado, se somos todos iguais?
Porquê? Porque é que os Homens se comportam como irracionais?
Porque é que guerras e doenças matam cada vez mais?
Porque é que a paz não passa de ilusão?
Como pode o Homem amar com armas na mão?
Porquê? Peço perdão pelas perguntas que têm que ser feitas
E se eu escolher o meu caminho será que me aceitas?
Quem és Tu? Onde estás ? O que fazes? Não sei
Eu acredito é na paz e no amor
Por favor, não deixes o mal entrar no meu coração
Dou por mim a chamar o teu nome, em horas de aflição
Mas, tens tantos nomes, és Rei de tantos tronos
Se o Homem nasce livre, porque é que alguns são donos?
Quem inventou o ódio?
Quem foi que inventou a guerra?
Às vezes acho que o inferno, é um lugar aqui na Terra.
Não deixes crianças, sofrer pelos adultos
Os pecados são os mesmos, o que muda são os cultos
Dizem que ensinaste o Homem a fazer o bem
Mas no livro que escreveste, cada um só lê o que lhe convém.
Passo noites em branco, quase sem dormir a pensar
Tantas perguntas, tanta coisa por explicar.
Interrogo-me, penso no destino que me deste
E tudo o que me acontece, é porque Tu assim quiseste
Porque é que me pões de luto e me levas quem eu amo?
Será que é essa a justiça pela qual eu tanto reclamo?
Será que só percebemos quando chegar a nossa altura?
Se calhar desse lado está a felicidade mais pura
Mas se nada fiz, nada tenho a temer
A morte não me assusta, o que assusta é a forma de morrer.

Autor: BOSS AC
publicada por alex às 23:40 4 Comentários

Silêncio Culpado disse...
Alex
É lindissímo este poema. Todos nós, uns mais que outros, temos feito estas perguntas em diferentes momentos da nossa vida.Quantos as trauteiam na angústia e no medo?!...Não sei porque "têm que ser feitas as perguntas" se não há respostas. Pelo menos não há aquelas respostas que procuramos. Porque a vida é um mistério que não nos é dado conhecer na totalidade. Nenhum sábio conseguiu desvendar todos os mistérios do Universo."Enterrada sob a Suíça e a França, está a máquina mais perfeita e cara desde que a Humanidade existe, segundo as vozes autorizadas.Custou oito mil milhões de dólares, demorou vinte anos a construir, tem vinte e oito quilómetros de comprimento,nove mil físicos trabalham com ela, dará resposta a todas as questões levantadas até hoje pela Ciência.Há quem acredite que ficaremos, inclusivé, a saber como foi criado o Universo desde o exacto início do Big Bang.Só que, facto inesperado e incontornável, o acelerador de partículas (pois é dele que estamos falando)...avariou!!Pelo que a tão decantada maravilha técnica se encontra parada e em recuperação ao fim de nem sequer um mês de funcionamento!Esta situação recorda-me uma experiência de que tive conhecimento na minha já distante adolescência e que consistia em fabricar água segundo todas as regras e respeitando todas as proporções dos elementos que a compõem, colocando depois lá um peixe.Os cientistas fizeram tudo quanto tinham a fazer, criando uma água pura e correcta. Simplesmente, o peixe em quem recaiu a honra de provar que a Humanidade era capaz de criar água sem problema algum, decidiu morrer sem grandes delongas. Tal como os que se lhe seguiram.O riso de Deus deve, neste momento, ecoar por todos os recantos do Universo e arredores, creio eu.E a pergunta que coloco é esta: quando aprenderá a Humanidade a não se ver como omnipotente e a deixar de ver um leão onde está um gato?!(Texto da minha amiga São Banza)."Também eu teria muito a dizer sobre esta reflexão. Mas fica para outros diálogos destes posts magníficos.Abraço
24 de Janeiro de 2009 9:45
alex disse...
obg. lídia por estes comentários que me deixam sempre mais rica e confiante. Todos os dias c/ ajuda vou tirando alguns tijolos da parede sabendo que do outro lado existem muitas pessoas que me podem ajudar ou que precisam da minha ajuda .Isso é extremamente edificante. bjx grandes e uma boa viagem
24 de Janeiro de 2009 10:53
sideny disse...
Alexninguém sabe como sera a sua forma de morrer.e como nao fazemos a minima ideia, o melhor que temos, é mesmo viver sem pensar muito nisso.por isso menina força e toca a viver, que ja se perdeu muito tempo.jinhos
24 de Janeiro de 2009 12:34
Odele Souza disse...
Alex, Obrigada por sua visita, comentário e pelo link do blog de Flavia. Este texto é fantástico. Também eu Alex, como tantos de nós, faço - sem infelizmente nunca ter tido respostas - as perguntas acima. Por que? Por que? Por que...?O que eu penso é que mesmo sem entender, temos que lutar pelo que consideramos justo. Mesmo que tenhamos que chorar, nos curvar diante do peso do que a vida nos reservou, será sempre com a espada na mão. Lutando!Um abraço com o meu desejo de BOM DOMINGO!
25 de Janeiro de 2009 4:26

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

SEM

Ergueram-se na manhã, tinham costumes que nos são estrangeiros, a que não faltava orgulho. Era gente de poucos haveres mas também de poucas necessidades, e quanto a sabedoria, nenhum valor atribuíam à quase nenhuma que tinham. Alguém os comparou ao fogo dos cardos; quem assim falava talvez lhes conhecesse o ardor, mas não sabia certamente da sua imensa doçura. Tinham certas incompatibilidades, não serei eu a negá-lo, e odiavam esse comércio da alma que sempre prosperou entre as pernas. A mim não me são indiferentes; sobretudo por aquela sua obstinação em multiplicar sobre o corpo os lugares de amor.



Silêncio Culpado disse...
Alex
Tens aqui algumas imagens de grande beleza e de grande profundidade que tornam a mensagem deveras interessante.
Apenas com um reparo quando dizes que
"quanto a sabedoria, nenhum valor atribuíam à quase nenhuma que tinham." É que, Alex, toda a gente tem sabedoria e não são as condições agrestes que lha tiram, bem pelo contrário. Só que essa sabedoria poderá não ser uma sabedoria cultivada, estruturada por objectivos, contextualizada no ambiente que rodeia. Mas não deixa de ser sabedoria.
Há pois que dar asas ao conhecimento para que ele cresça e que, como dizia Lenine, liberte o homem.
A frase "aprender, aprender sempre" deve pois ser uma orientação de vida. Sem complexos. Porque quem perdeu tudo já nada tem a perder e tem todo o mundo a ganhar.

Abraço

22 de Janeiro de 2009 10:06

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O JULGAMENTO

O JULGAMENTO


Bom dia. Mertíssimo Verme, a coroa mostrará sem sombra de dúvida


que o prisioneiro aqui presente


foi apanhado em flagrante dando mostras de sentimentos


sentimentos de natureza quase humana


Que vergonha!


Assim não pode ser, chamem o director da escola


Sempre achei que este ia acabar mal


Se afinal, Meritíssimo,me tivessem dado carta branca


Tê-lo-ia chicoteado até entrar na linha mas tinha as mãos atadas.


O raio dos poetas e artistas deixam-nos fazer tudo o que querem.


Deixem-me malhar-lhe agora,


loucos bonecos no sotão,estou maluco


Devem-me faltar alguns parafusos


Chamem a mulher do réu, sua porca, estás arrumado


Espero que fiques dentro para sempre


Devias ter falado comigo mais vezes


Do que falas-te, mas não, tinhas que levar a tua avante


Destruiste muitos lares ultimamente?"


Dê-me só cinco minutos,Meritíssimo Verme, a sós com ele


"Pequenino, vem à mamã, pequenino, deixa-me pegar em ti


Na cama nunca quis que ele arrajasse sarilhos


Porque me abandonou ele, Meritíssimo Verme,deixe-me levá-lo para casa


Doido com o arco-íris, estou louco, grades na janela


Devia haver ali uma porta na parede quando aqui cheguei


Doido como o arco-íris, está doido e a prova perante o tribunal


É irrefutável, nem é necessário o júri retirar-se


Em toda a minha experiência como juiz nunca vi ninguém


Que mais merecesse a pena capital, a maneira como fez


Sofrer a sua excepcional mulher e a sua mãe dá-me vontade deVomitar mas meu amigo você revelou o seu medo mais profundo


Condeno-o a ficar exposto perante os seus semelhantes


Deitem a parede abaixo.
publicada por alex às 14:33

2 Comentários:
Silêncio Culpado disse...
Xana

Este texto tem duas linhas de força que acho espectaculares. Uma tem a ver com a frieza das Instituições face ao indivíduo e outra com o facto de remeteres para o "castigo maior" não a pena de morte nem a prisão mas sim a queda do muro que deixa o indivíduo exposto perante uma sociedade que o hostiliza.
Muito boas mesmo e muito ricas estas duas mensagens.
Porém já não concordo que apelides de "verme" o Meretissímo só porque ele representa a lei e produz um julgamento de acordo com a mesma.Ele também poderá ser uma vítima do próprio papel que desempenha. Ele também, tal como o jovem que julga, poderá ser um rebelde solitário, que faz parte duma engrenagem que lhe impõe uma determinada forma de actuação.
Porque todos nós estamos permanentemente a ser julgados pelos actos que praticamos e pelas percepções que os outros têm desses mesmos actos. E isto quer expressemos claramento o nosso pensamento ou o guardemos a sete chaves no lugar mais recôndito de nós próprios.
Também nós nos julgamos e avaliamos de acordo com certos padrões que umas vezes nos beneficiam e outras nos prejudicam. E é deste conjunto de julgamentos que resulta a nossa vida em sociedade e que pagamos quase sempre pelos actos que cometemos.
Todavia mais importante que os actos em si é a humildade na nossa postura em relação aos outros. Se atirarmos pedras ao Meretissímo, quer chamando-lhe verme, quer hostilizando a sua actuação legitimada pela sociedade a que pertencemos, receberemos sempre de volta essas pedras que ferem e se amontoam ao invés de servirem para construirem pontes que aproximam. Para que os outros nos aceitem, tal como somos, temos também que procurar aceitar esses outros tal como eles também são. A nossa situação não especial só porque é nossa. Todas as situações individuais são especiais e todas têm o seu lado bom e as suas vicissitudes. Ninguém é a vítima porque todos ajudam, mal ou bem, a contruir a sociedade que os eleva ou que os inferioriza.


Adorei esta tentativa de te abrires e expressares sentires.

Cintinua.


Beijos

20 de Janeiro de 2009 3:36
R. Rudoisxis disse...
Sentires desordenados e culpas assumidas que em todas as auto condenações ainda parecem suaves para ti. Um grito na noite, um gemido ouvido, uma dor que não passa, um perdão em que não acreditas. Caída na sargeta pela mão firme que te estendem,levanta-te e caminha.
Uma caminhada de mil quilómetros começa com um pequeno passo. A cada passo dado que dês menos será a distância a percorrer. O caminho é longo mas tu és capaz.A pena capital morreu e a prisão perpétua é inadequada a qualquer crime por mais hediondo que seja. As portas abriram-se e o julgamento feito e a sentença cumprida. Renasce para vida, confia na tua força e na capacidade de amar a vida. A primavera chegou e as flores crescem na berma da tua estrada.Inspira o ar puro e o perfume que sentes no ar emanado dessas flores. A vida é linda e bela se apreciarmos a sua beleza.
As barreiras cairam, o sol brilha e o céu ficou azul.As nuvens cinzentas desapareceram a chuva fez nascer as flores e tudo é difrente. Porque havemos de nos lembrar das tempestades passadas como se elas ainda estivessem presentes. Ama a vida, ama o teu próximos e todos aqueles que te amam. Beijo

20 de Janeiro de 2009 13:06

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Por um por todos por nenhum
faço o meu canto canto a minha mágoa
num desencanto aberto pelo gume
deste pranto tão limpo como a água.


Por nenhum por todos ou por um
eu dou o meu poema o meu tecido
de palavras gravadas com o lume
do medo que na voz trago vencido.

Por nenhum por um mesmo por todos
sou a bala e o vinho sou o mesmo
que pisa as uvas os versos e o lodo
num chão onde a coragem nasce a esmo.
Joaquim Pessoa


Silêncio Culpado disse...
Xana

Não conhecia este poema de Joaquim Pessoa mas gostei e acho-o muito apropriado.
Nesta perspectiva, e na parte que me toca, agradeço-te do fundo do coração.


Beijos

20 de Janeiro de 2009 3:39
sideny disse...
Eu também agradeço o poema
beijo

21 de Janeiro de 2009 6:00

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

FALTOU-ME UM GOLPE DE ASA

Hoje 09-01-08 uma amiga nova e querida vai a uma consulta, está tanto frio, e dela pouco mais sei que está doente e detesta o frio.Mas sei que gostava de viajar para um país tropical,todos menos o Brasil.Uma praia, palmeiras,céu azul e mt mt sol, eu respondi-lhe se um dia eu tivesse dinheiro....
vamos as duas quem sabe, aprendi a sonhar há pouco tempo, tu escolhes o país e talvez as dores da alma se esfumassem,levadas pela brisa.
somos mt diferentes é verdade , mas atrevo-me a dizer que a nossa alma sofre das mesmas dores.
Está tanto frio...
Faltou-me um bocadinho assim de coragem para lhe dizer eu vou à consulta contigo, amiga.
falta-me sempre um golpe de asa.

para sideny

SILÊNCIO CULPADO disse...
Alex

Ora bem. Aqui está um comentário que aparece como uma nova mensagem. Esta vontade de descobrir fascina-me. Descobriste sozinha que podes produzir mensagens genuínas e com elas abrir uma fresta na muralha que te tapa. Eu disse "tapa" e não "prende" porque há sempre uma saída. Assim a queiras encontrar.
Quanto ao sítio de sonho... quem sabe? Os sonhos são diferentes das ilusões porque podem tornar-se realidade quando perseguimos objectivos concretizáveis e rejubilamos a cada passo conseguido. As ilusões são fruto da imaginação que não consegue lidar com a realidade e, por isso, devemos recusá-las.
Fixemo-nos pois no sonho e percorramos o caminho que nos separa dele.

Força!

Abraço

9 de Janeiro de 2009 9:46
sideny disse...
Esta mensagem foi removida pelo autor.

10 de Janeiro de 2009 3:33
sideny disse...
alex
Muito obrigado pela atenção.
Mas não perdeste nada, estava um frio de cortar a alma.
Quanto a viagemum dia a faremos.
Sonhar é bom e os sonhos torna-se possiveis é so queremos, nunca baixar os braços.
Olha pra nos ali ao fundo,esticadas ao sol:)))
Vou a agua queres vir?
:))))
jinhos

força contigo....

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O INICÍO DA ULTRAPASSAGEM


8 Comentários:
sideny disse...
ola Primeiraaaaa.Vou gostar de ver e ler o teu blg.Força beijinhos
8 de Janeiro de 2009 7:36
alex disse...
sideny ,muito ob por seres a 1º.adorei ter -te aqui bjocas
8 de Janeiro de 2009 10:10
ru2x disse...
Eu comentei não apareceu. Comento de novo tentando lembrar-me do que escrevi.Sou o segundo a comentar a sideny merece ser a primeira ela é uma boa amiga e vejo com alegria o desenvolver da vossa amizade.É com muito orgulho que vejo o teu renascer. As barreias vão caindo a cada dia que passa e o caminho à tua frente vai aparecendo para poderes caminhar com segurança.Lembra-te que perder-se também é caminho. O impossivel acontece quando canalizamos todas as energias em busca de um objectivo. A mudança acontece quando acreditamos genuinamente em nós mesmos. Não conseguimos mudar o mundo, mas se nós mudarmos o mundo muda connosco.Um resto de dia de anos feliz. Compreendes o que quero dizer?Beijos
8 de Janeiro de 2009 11:37
alex disse...
ru2x, sabes consigo sentir-me orgulhosa tb e já consigo vislumbrar um trilho ao longe cada passo é pequeno mas seguro.sabes bem que tenho uma bussola na mão,que não largo nem por um instante e que me indica sempre o norte.começo a acreditar em mim nos outros e que os impossiveis podem-se tornar possiveis.o meu mundo de barreiras feitas de pedra começa a mover-se lentamente.08-01-08 é uma data que não vou esquecer.ob.para ti tb
8 de Janeiro de 2009 15:42
alex disse...
faltou-me um golpe de asa...Hoje 09-01-08 uma amiga nova e querida, vai a uma consulta, dela pouco mais sei que está doente e que detesta o frio.Sei tb que gostava de viajar, neste Inverno para um país tropical, todos disse-me ela menos o brasil. Uma praia, palmeiras céu azul e sol mt sol ,se eu tivesse dinheiro... Vamos as duas,quem sabe , aprendi a soltar os sonhos à pouco tempo,tu escolhes o país.Eu e ela somos mt diferentes é verdade, mas atrevo-me a dizer que a dor que sentimos na alma é semelhante e talvez ela se esfumasse com a brisa suave que corre sempre em praias de sonho , como a nossa.faltou-me um bocadinho assim de coragem para lhe dizer eu vou contigo à consulta amiga.falta-me sempre um golpe de asa....para sidiny
9 de Janeiro de 2009 1:02
sideny disse...
olaobrigada .mas não perdeste nada, estava um frio horrivelate congelava a alma.esta tudo a andar bem.quanto a viagem so para baixo do equador, para cima esta frio.havemos de ir nem que seja em sonho:))))beijocas
9 de Janeiro de 2009 8:37